OITO VERDADES SOBRE O BATISMO EM CRISTO (Parte 2 de 3)

Por  Evangevaldo Farias de Souza

No primeiro texto trabalhamos com três verdades sobre o batismo: 1) O batismo: por que é necessário; 2) O batismo: nossa união com Cristo – nascendo de novo, recebendo a imagem de Deus e nos tornando Seus filhos, juntos com Jesus; 3) O que acontece no batismo.

Agora seguirei com  mais três verdades: 4) A urgência dos apóstolos; 5) O ensino de Jesus; 6) O sofisma da necessidade de ensino antes do batismo.

 

4. A urgência dos apóstolos

Um estudo simples do livro de Atos dos Apóstolos, revela que eles tinham uma curiosa urgência em batizar os que criam. Não há um único exemplo em que um batismo tivesse sido protelado. Só não era batizado quem não havia crido ou não havia compreendido ou recebido a palavra de arrependimento.

Vejamos:

a. Os apóstolos em Pentecostes – At 2.37-41. Que coisa curiosa: batizar 3.000 pessoas no mesmo dia em que creram!

b. Filipe em Samaria – At 8.12. Davam crédito à Palavra do Reino e eram logo batizados;

c. Filipe e o eunuco – At 8.26-40. Na evangelização já estava presente a palavra sobre a necessidade do batismo. De tal maneira isso é verdade que foi o homem que perguntou o que o impedia de ser batizado. Não teria perguntado se Filipe não lhe tivesse falado a respeito;

d. Ananias e Paulo – At 9.9-19. Foi o caso mais demorado – esperou três dias, apenas porque não havia quem o batizasse;

e. Pedro, Cornélio e toda a sua casa – At 10.44-48. Ouviram, creram e foram batizados, no mesmo dia, na mesma hora;

f. Paulo e Lídia – At 16.13-15. Ouviu, entendeu e foi batizada;

g. Paulo, Silas e o carcereiro – At 16.22-34. Por que batizar uma família inteira em plena madrugada?

h. Paulo, a casa de Crispo e os coríntios – At 18.8. Criam e eram batizados;

i. Paulo e os efésios – At 19.1-7. Ouviram, entenderam e foram batizados.

Por que todos os batismos registrados na Escritura, curiosamente, são testemunhos de um ato imediato à demonstração de fé e arrependimento? Por que os apóstolos tinham tanta pressa em batizar os que criam? Por que tanta urgência? Seria um capricho deles? É certo que não. Só há uma explicação: eles eram coerentes com o que criam e ensinavam. Os apóstolos eram fiéis ao ensino de Jesus. Eles sabiam que o batismo é a união do homem morto espiritualmente, com Jesus Cristo, Espírito Vivificante (1Co 15.45-49).

Sabiam que é no batismo que se opera o novo nascimento – o nascimento da água e do Espírito (Jo 3.3-7). Sabiam que é pelo batismo que, por fé, temos nossos pecados cancelados e nos tornamos filhos de Deus (At 2.38; 22.16; Cl 2. 12,13; Jo 1.12,13; Gl 3.26,27). 

5. O ensino de Jesus (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Jo 3.3-7).

a. A ordem de Jesus em Mt 28.19, 20 é: primeiro batizar para depois ensinar. Em muitos casos a prática da igreja tem sido ao contrário: primeiro ensinar para depois batizar, denunciando uma falta de entendimento da importância do batismo. Só se ensina ao filho depois que ele nasce, e é no batismo que nascemos de novo e nos tornamos filhos de Deus.

b. A afirmação do Senhor em Mc 16.15 é de que quem crer e for batizado será salvo e não de que quem crer e for salvo será batizado, como ensinam alguns. A salvação não é condição para o batismo, ao contrário: o batismo é condição para a salvação (1Pe 3.20,21).

c. Na conversa com Nicodemos Jesus fala do novo nascimento como condição para se entrar no Reino de Deus, ou seja, condição de salvação. E Ele associa o novo nascimento à água (que água é esta, se não a do batismo?)

             Do mesmo modo que um “batismo” sem fé não tem efeito, uma fé que recusa o batismo é infrutífera.

Quem diz crer em Jesus e recusa o batismo, demonstra não estar arrependido ou não ter uma fé legítima, porque hesita em seguir a Jesus com todas as implicações desta decisão. Ninguém se sinta autorizado pela Escritura a desconsiderar esta verdade. Aqueles que, em nome de uma tradição herdada, anunciam o evangelho e convencem as pessoas que recebem a Palavra a “se sentirem” salvas, sem apontar-lhes a necessidade inadiável do batismo, correm sério risco de estarem curando superficialmente a ferida dos pecadores, e dizendo: “paz, paz, quando não há paz” (Jr 6.14).

6. O sofisma da necessidade de ensino antes do batismo.

Alguns ensinam que antes do batismo é necessário ensinar aos “novos decididos” para se ter certeza da seriedade e profundidade da decisão deles. Este é o principal argumento para se protelar o batismo de alguém. Consideremos algumas de suas inconsistências.

a. Um dos problemas deste entendimento é que, enquanto não é batizada, a pessoa que se “decidiu”, é tratada como se fosse um convertido. Embora seja alguém em quem não se confia na seriedade do seu compromisso com Cristo, é tratado como irmão. O candidato ao batismo é tido como filho de Deus e tem salvação garantida (!!!), mas não pode ter seu nome vinculado a determinada denominação porque não se sabe o quanto entendeu a palavra do evangelho, ou não se tem certeza da dimensão do seu compromisso (?!?). Isto, no mínimo, é ridículo! É uma ofensa aos céus. Este sofisma fica muito evidente no caso de pessoas com irregularidades no casamento: dizem-lhes que aceitaram a Jesus pela fé e, portanto, estão salvas. Também lhes é dito que ainda não são “membros” da igreja, mas apenas “congregados” (existe tal palavra ou tal condição na Escritura?). Enquanto isso, são saudados e tratados como irmãos. Contudo, só poderão se batizar, para fazerem parte do rol de membros e participarem da ceia do Senhor, quando regularizarem sua situação matrimonial. Estão no céu, mas não na “igreja” (denominação). Que grande e triste confusão! Ninguém lhes diz que estão vivendo em fornicação, ou concubinato, ou adultério, e que esta situação ofende ao Senhor e que eles estão perdidos. Não lhes é dito que precisam se separar ou se casar (conforme o caso), se querem seguir a Jesus. Estão dizendo: “…paz, paz, quando não há paz” (Jr 8.8,9,11). Em tais casos bem que se aplicaria o que disse Jesus sobre os religiosos judeus: “… rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais que vós…” (Mt 23.15).

b. Outra coisa que fica evidente neste entendimento é que não se pregou o verdadeiro evangelho ao pecador “decidido”. Na verdade, o que se está buscando, enquanto se espera, é perceber se o “decidido” está convicto das demandas do Reino de Deus. Não se sabe ao certo em que, exatamente, ele creu e/ou, em função de que “se decidiu”. O que parece não perceberem é que essa dúvida só acontece quando se prega um tipo de “evangelho” onde se anuncia que “Jesus salva, cura, liberta e dá paz e prosperidade”. Ora, qualquer desesperado, ou mesmo um simples interesseiro, “aceitaria” esta pregação e se “decidiria” por Jesus, sem significar, com isso, que estivesse disposto a pagar o preço de seguir a Cristo, ou crendo, de fato, na obra de Cristo. Tenho dificuldade para entender por que tais pregadores omitem as demandas que Jesus apresentou com tanta clareza: negar a si mesmo, tomar a cruz, perder a vida e renunciar a tudo (Mc 8.34-38 e Lc 14.25-33). Será que não percebem que ao ocultarem o preço estão, também, ocultando o próprio tesouro? Estão ocultando Jesus das pessoas! Estão roubando-lhes a esperança de encontrarem a salvação.

Os primeiros apóstolos tinham confiança em batizar de imediato alguém que se decidia pelo Reino de Deus, exatamente porque estavam descansados de não estarem apresentando uma oferta barata qualquer, de consolo humano e falsa esperança, mas o legítimo Evangelho do Reino de Deus. Pregavam o governo de Cristo. Os apóstolos apresentavam uma fé que se evidenciava em um compromisso de absoluta submissão e obediência Àquele que é Senhor de todos (At 2.26; 10.36) e não em um sinal exterior de “aceitação” da salvação. Se havia algum sinal exterior, este sinal era o batismo, apresentado a todos os que, verdadeiramente, criam em Jesus como o Cristo de Deus e Senhor de todos.

Leia a parte 1 – https://jesusalegriadoshomens.wordpress.com/2018/07/29/oito-verdades-sobre-o-batismo-em-cristo-parte-1-de-3/

Leia a parte 3 – https://jesusalegriadoshomens.wordpress.com/2018/07/29/oito-verdades-sobre-o-batismo-em-cristo-parte-3-de-3/

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