A morte da Universidade brasileira

Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus.” (Colossenses 1: 9,10)

Assinalam os estudiosos que o vocábulo veio do latim universìtas, universitátis. Significando “universalidade, totalidade, companhia, corporação, colégio, associação”. Historicamente o vocábulo seria do século XIV.

O ensino superior na Idade Média era ministrado por iniciativa da Igreja. A Universidade medieval não tem precedentes históricos; No mundo grego houve escolas públicas, mas todas isoladas. No período greco-romano cada filósofo e cada mestre de ciências tinham “sua escola”, o que implicava justamente no contrário de uma Universidade. Esta surgiu na Idade Média, pelas mãos da Igreja Católica, e reunia mestres e discípulos de várias nações os quais constituíam poderosos centros de saber e de erudição.

Por volta de 1100, no meio de uma grande fermentação intelectual, começam as surgir as Universidades; o orgulho da Idade Média cristã, irmãs das Catedrais. A sua aparição é um marco na história da civilização Ocidental que nenhum historiador tem coragem de negar. Elas nasceram às sombras das Catedrais e dos mosteiros. Logo receberam o apoio das autoridades da Igreja e dos Papas. Assim, diz Daniel Rops, “a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade” (A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, p. 345).

Claro que livros sob a ótica marxista denominam tal período de “obscura” Idade Média.  Mas na realidade, razão e a fé andavam de mãos dadas neste tempo. Segundo Felipe Aquino (professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena), o fundamento das Universidades está no século IX com as escolas monásticas da Europa, especialmente para a formação dos monges, mas que recebiam também estudantes externos. Depois, no século XI surgiram as escolas episcopais; fundadas pelos bispos, os Centros de Educação nas cidades, perto das Catedrais. No século XII, surgiram centros docentes debaixo da proteção dos Papas e Reis católicos, para onde acorriam estudantes de toda Europa.

O documento mais antigo que contém a palavra “Universitas” utilizada para um centro de estudo é uma carta do Papa Inocêncio III ao “Estúdio Geral de Paris”.

Bom, tendo explicado este assunto você pode questionar: “Mas e a UNESCO reconheceu a primeira universidade existente no mundo localizada na Índia’’. Esqueça a UNESCO nesta questão, sua visão é curta e tendenciosa, controlada para depreciar as raízes Ocidentais, agendada para reconstruir uma visão de um novo mundo pautada na ‘’diversidade’’. Recentemente ela não reconheceu Jerusalém como parte de Israel, apesar de todos os documentos históricos provando a verdade ela ‘’estranhamente’’ pensa o contrário. A credibilidade da UNESCO é questionável em quase tudo.

Mas vamos falar um pouco sobre o que está acontecendo com as Universidades no Brasil. Olhamos para as Universidades no presente e perguntamos: O que está acontecendo com as academias?

Em primeiro lugar, isso não aconteceu agora. Quando a ciência soltou as mãos da religião em vez de aglutinar para o bem da sociedade se tornaram inimigas; criou-se um espaço profundo que teria que ser preenchido por uma nova religião e é exatamente neste ponto aonde o materialismo histórico chega e toma conta do lugar que deveria ser da religião cristã.

O materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história que foi pela primeira vez elaborada por Karl Marx, apesar da frase não ter sido cunhada por ele, foi assim que ficou conhecida. A priori os métodos ficaram basicamente nos campos da economia e ciência humanas, mas o veneno foi necrosando todo o corpo acadêmico e tomando, reivindicando para si cada parte da ciência. Na teoria marxista o materialismo histórico pretende a explicação da história das sociedades humanas  em todas as épocas através dos fatos materiais  essencialmente econômicos e técnicos.

É possível logo de entrada perceber que o determinismo vai tomar conta de cada área das academias, não vai conceder espaço para outro caminho e muito menos para transcender ideias.  Mas é onde fica toda problemática, o materialismo precisa se firmar sem ser tão agressivo e por isso é necessário comungar com dogmas do marxismo cultural que preenche o espaço deixado pela religião.

O determinismo afirma que biologicamente nascem homem e mulher, mas a nova religião marxista afirma que é relativo, que sexo não são homem e mulher;  Sexo é indefinido, o corpo não pode ser mais definido por conceitos da ciência burguesa e machista. Ao mesmo tempo eles afirmam que tartarugas nascem tartarugas. Perceberam a contradição? Isso é ciência? As academias deveriam preparar o aluno para conhecer o objeto de forma completa e suas implicações epistemológicas, estéticas e morais com a finalidade de descobrir a verdade.

Segundo eles, tudo que for relacionado à cultura branca ou Ocidental Judaico-cristã é por natureza machista. A matéria que saiu 10/01/2017 no Jornal O Globo sobre alunos universitários de Londres-Inglaterra, que desejam descolonizar os filósofos brancos, revela  como   o politicamente correto está  descontrolado e a mortificação  da universidade é um programa mundial (Leia a matéria aqui). Poesia e musica, Literatura, ciência, arte todas elas na direção da morte. Olhem para nossa época, cadê os gênios nestas áreas?

O que estão ensinando nas universidades é que toda expressão sentimental, não importa como  e qual seja, agora é  poesia; Toda musica agora é cultura, não há mais  divisão entre popular  e alta cultura; Um país onde Paulo Coelho vende milhões e é membro da Academia Brasileira de Letras.

O que está acontecendo? As transformações destas bases na intenção de produzir algo ‘’sublime e sobrenatural ‘’ de iniciativa humana; Em segundo lugar, o policiamento do politicamente correto, a nova forma de censura. Tendo estabelecido o preenchimento do espaço da religião cristã, o marxismo instaura dentro das academias um Estado policiado pelo censor do politicamente correto.

Entre colegas acadêmicos no Brasil não é possível ter uma ideia oposta do que já foi estabelecido pelo materialismo histórico e seus braços.  Discordar do evolucionismo (por exemplo) é motivo de perseguição acadêmica, censura e descredibilidade. É comum, muito comum nas universidades brasileiras testemunhos de pessoas que defenderam seus TCC, suas dissertações, teses de pós, mestrado, doutorando se encaixando no programa marxista para obter aprovação da bancada ‘’iluminada’’, longe da realidade do que desejavam fazer.

Pergunto novamente, isto é ciência? Não! Concordo com John Searle: ‘’A ideia de que o currículo deva ser alterado de acordo com qualquer propósito ‘’partidário’’ é uma perversão do ideal da universidade. O objetivo de converter o currículo em um instrumento de ‘’transformação social’’(de esquerda, direita, centro ou que seja) é o exato oposto do ensino superior’’.

Mas é óbvio o diagnóstico, estamos vendo as universidades não produzir ciência, mas um controle implacável que não permite a compreensão profunda do objeto. Mas qual o propósito disso? Em vez de formar cidadãos para contribuir para ciência e sociedade, inserindo o indivíduo no mercado de trabalho, as academias se tornaram templos das ideologias onde professores se tornaram doutrinadores; onde alunos se tronaram membros de seitas ativistas que representam minorias como: feminismo, ativismo eco, ativismo de raça sob a bandeira de luta de classes que na realidade são bonecos de ventríloquos manobrados  e patrocinados por  governos e ongs que recebem dinheiro de grandes corporações capitalistas que visam aprovar suas políticas abortistas e gayzistas.

O bom exemplo é George Soros. Ele usa suas ongs para avançar na agenda  socialista. E qual a razão para a esquerda está unida com este grande capitalista, já que ela ‘’odeia’’ os grandes capitalistas? Alan Ghani  que é  economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio), responde  essa pergunta:

‘’A razão é muito simples, muitos destes movimentos de esquerda não são necessariamente contra o capitalismo de George Soros, mas contra os princípios conservadores, base da civilização ocidental, que representam obviamente uma resistência aos anseios globalistas das famílias Soros, Rockfeller, Ford, entre outras. ’’

É trágico, mas o aluno entra na universidade querendo estudar e acaba se tornando um membro de um programa bem elaborado. Tal programa visa destruir o cristianismo e a civilização ocidental.

O que está acontecendo com as universidades mundo a fora e no Brasil?

Parece um fenômeno  o que está acontecendo no mundo, mas não é! É um programa muito bem elaborado que permeia do início do  século XIX a XXI. No livro ‘’Conspiração de Portas Abertas’’, escrito pelo renomado autor Britânico H.G.Wells (que era fabianista) desejava ele um governo universal e o fim do nacionalismo. Nestes termos a educação mundial seguiria uma agenda; um padrão universal.  Esse livro foi escrito em 1929 e já proclamava um programa educacional. Então, não podemos ficar tão surpresos assim quando vemos o mesmo modo de operação de universitários  americanos quebrando tudo nas ruas, e vendo a mesma cena aqui dos alunos das universidades brasileiras. É um programa universal para instalar mudanças que vão quebrar paradigmas do mundo Ocidental, especificamente da cultura judaico-cristã, por meio de doutrinas ou por violência.

Recentemente a Universidade Estadual da Bahia em Jequié, promoveu um seminário (observem) de medicina xamâmica para alunos do curso de medicina. Um curso que cuida em preservar vidas através da ciência, agora promove invocações ritualísticas, incentivando alunos para  supostas faculdades mágicas, terapias curativas ou divinatórias. Na mesma Universidade são patrocinadas religiões da cultura afro-brasileira, como: Umbanda e candomblé. Tendo dinheiro dos impostos de brasileiros (maioria cristã) para promover o ódio especificamente ao cristianismo. Neste conceito novo tudo será aceito como ciência desde que não seja Ocidental, judaico-cristã. Todas as teorias socialistas foram testadas, aplicadas e aprovadas. Qualquer posição contrária será caricaturada e enquadrada pelo sentimentalismo e vitimismo do politicamente correto.

A Universidade morreu, o que temos agora é um templo do materialismo histórico usando o relativismo para confundir, espalhar terror e perseguição ao qualquer proposta oposta! Bernardin fala em seu livro magistral, ‘’Maquiavel Pedagogo’’, de forma consciente do caráter de uma revolução.

Bernardin, a partir de exames de documentos publicados pela própria ONU, expõe claramente o objetivo que norteia suas ações presentes, a saber, o de implantar uma nova sociedade do ponto da modificação dos valores, comportamentos e atitudes dos indivíduos que compõe a sociedade presente, e isso por meio da ação organizada nos meios de ensino, desde os anos escolares iniciais até a educação superior. Não se engane é um programa, estamos vendo primeiramente o caos epistemológico, estético e moral desde as bases para o surgimento do novo conceito de linguagem, beleza e moral dentro nas universidades.

As academias são os canais para jorrar todo o esgoto marxista mundo a fora. Veja, todo o currículo universitário será instrumento desta política de vitimização, das minorias coitadinhas por isso estou de acordo com Roger Kimball:

’A política em questão é da vitimização. Cada vez mais, o estudo acadêmico é organizado não em torno de critérios intelectuais e sim simplesmente servir de instrumento às exigências dos vários grupos ‘’marginalizados’’ politicamente aprovados’’.

Em 2012 (gestão PT) um aluno da UFBA chamado  Tedson da Silva Souza, fez uma tese de mestrado sobre a prática de fazer ‘’Banheirão’’. Tal prática é o encontro de homens em banheiros públicos da Estação Da Lapa em Salvador. A tese ‘’científica’’ com mais de cem páginas, relata o encontro de homens aleatoriamente para fazer sexo oral nos banheiros da Estação da Lapa. Tal pesquisa (tese) foi bancada pelo CAPS (Órgão Nacional) no valor de vinte mil reais. Observem, dinheiro do governo (seus impostos) para bancar promiscuidade, contos de aventuras sexuais, decadência moral  nas academias do país. Enquanto centenas de pessoas lutam por verbas que nunca terão aprovação governo. Projetos sérios que  poderiam contribuir para  sociedade brasileira.

Não é de hoje

O processo de politização do currículo universitário não vem de hoje, praticamente todas as áreas servem agora ao politicamente correto.  Exemplo bem sucedido desta ocupação é no curso de Letras. A própria ideia de que as obras de Fernando Pessoa poderiam ser inquestionavelmente melhores do que as revistas da Monica são frequentemente rejeitadas por ser antidemocrático e branco burguês, uma opressão à liberdade e interesses políticos de várias minorias.  O que está acontecendo? Um processo devastador e empobrecimento do ensino no Brasil. Para eles não há mais diferença entre uma Lasanha e um pão com queijo; não há diferenças entra a alta cultura e cultura popular; entre o português bem falado e as gírias das favelas. Observem como a linguagem é modificada para nivelar as coisas.

Em 1989 o curso de psicologia nos Estados Unidos propôs um novo conceito para mudar a questão da estética, o conceito chama-se de ‘’aparencismo’’. Segundo Roger Kimball, ‘’aparencismo’’ é o preconceito de acreditar que algumas pessoas são mais atraentes que outras. Sim, caros leitores, vocês não podem mais definir suas preferências nas relações com os outros e muito menos definir quem é feio e bonito. Na moralidade não é possível definir mais o que de fato é a moral. Se um homem pratica a zoofilia, ele está no mesmo nível de uma relação entre homem e mulher. Para os ‘’progressistas’’ o que vale é a relação de amor livre. Este conceito tomou as universidades brasileiras. Hoje chamar de feio qualquer estudante é motivo de protestos.

É possível identificar a influência do ‘’aparencismo’’ já na estética deste estudante ativista, que tem por propósito  sempre a diversidade, a ‘’liberdade’’. Mas só faz sentido se for a ‘’liberdade’’ pautada no conceito de ‘’liberdade’’ definido por eles, não é possível a liberdade  oposta, o contraditório. É de fato um esforço para instituir uma nova forma de controle de pensamento baseado em uma variedade de propagandas e atitudes da Nova Esquerda.

Os cristãos devem ir para Universidade?

Claro que sim! Frequentemente ouço histórias de jovens cristãos que estão nos campus universitários brasileiros sendo pressionados por professores que os assediam moralmente. Frases como: ‘’Aqui não é lugar de crente’’; ‘’Crente é alienado’’; ‘’ A igreja é o ópio do povo’’; ‘’A Bíblia é um mito’’; ‘’A Igreja é obscurantista’’; ‘’A Igreja é culpada por muitos assassinatos das minorias’’; ‘’A cultura judaico-cristã é machista, patriarcal e opressora’’; ‘’Crente é homofóbico, burro’’; São frases para intimidar e silenciar qualquer defesa a fé cristã ou posições conservadora.

O problema não é ir para universidade, mas ir para ela sem defesa, sem preparo. É justamente nisto onde a Igreja tem pecado. A Igreja se afastou do conhecimento alegando que esta ferramenta o afasta da santidade. Não é bem assim! O conhecimento que não é governado pela autoridade das Escrituras, sim, pode ser danoso.  Toda ciência é boa, mas no momento que ela mina a autoridade das Escrituras, o cristão deve ficar com as Escrituras. Concordo com John Robbins:

’A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende completamente de Deus, que é o seu autor’’.

É preciso que a Igreja eduque seus membros no bom conhecimento pautado em Cristo. O apóstolo Paulo alertou a igreja sobre a questão: ‘’Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo’’; Colossenses 2.8. Mas as que não estão em Cristo Jesus.

A Igreja deve ensinar seus jovens a enfrentar o ambiente hostil nos campus. É preciso enfrenta-los e isso tem que ser no território do inimigo. Mas antes, temos que desenvolver essa cultura de enfrentamento em nossos lares (pais educadores), Igrejas, seminários, fóruns, conferências e encontros da fé cristã. Não podemos perder mais tempo, estamos vendo jovens sendo humilhados e massacrados no ambiente acadêmico.

Recentemente ouvi de um aluno que seu professor é ‘’110%’’ marxista e que falava um monte de besteiras sobre política e cristianismo, mas que ele não podia questioná-lo por medo de ser reprovado. Essa história é uma, em meio a milhões que ocorrem diariamente no mundo. Não podemos esperar mais, temos que preparar nossos jovens para o bom combate nos campus, para o confronto de forma erudita e brilhante com seus professores e colegas. É preciso enfatizar mais as leituras de bons livros e desenvolver o bom debate ensinando a não entrar na lama do argumento desonesto (Ad Hominem).  As palavras de Valmir Nascimento ecoam:

‘’Pensar de forma cristã é  aceitar, com a mente, todas as coisas como relacionadas, direta  ou indiretamente, com o destino eterno do homem como filho remido e escolhido de Deus’’.

Caro leitor, na sala de aula o aluno está aprendendo, mas também está em defesa da sua fé. Somos chamados a vestir armadura, colocar o capacete, levantar o escudo e desembainhar a espada para grande batalha que está sendo travada neste exato momento nas universidades dos ossos secos.

Soli Deo Gloria

Por Heuring Felix Motta (colunista).
Consciência Cristã News

Fonte:http://conscienciacristanews.com.br/a-morte-da-universidade-brasileira/

 

Anúncios

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s