Série: pensamento de Deus X pensamento do mundo – Pais e filhos

No princípio, Deus havia criado o re­lacionamento de pais e filhos para ser uma relação especial de amor, carinho e cuidado com Filhos felizes, supridos e pais alegres com a vida de seus filhos. Entretanto, como todas as áreas da vida do homem, essa também foi estragada pelo pecado.
A família é uma instituição divina, criada por Deus para abençoar e proteger o homem, a família é a célula da sociedade, famílias destruídas, desestruturadas e feridas pelos conflitos entre pais e filhos geram uma sociedade doente e hostil.

Os relacionamentos mais especiais e preciosos que o homem tem na terra começam dentro da família, entre pais e filhos, são os mais fortes, laços de sangue, laços da mesma carne, no lar os filhos são protegidos, amados, recebem os primeiros valores e princípios, dentro de nossa geração pais se perguntam como filhos que um dia amaram tanto quando bebês um dia se tornam seus inimigos, sem respeito nem amor pelos pais.

Satanás, inimigo de Deus, sabe que atacando e destruindo a família ele destrói o indivíduo e consequentemente toda a sociedade e a nação sofre a maldição de ter famílias doentes e feridas. Satanás muito se empenha na destruição das famílias, ele sabe que destruindo a família, destruirá o indivíduo desde criança e terá toda uma vida de traumas, de desequilíbrio, de doenças emocionais e psicológicos para se aproveitar dela.

A última palavra do Antigo Testamento é voltada para a família: “e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição.” (‭Malaquias‬ ‭4‬:‭6‬) – a única maneira da terra não ser ferida com maldição é os pais se converterem aos filhos e os filhos se converterem aos pais, a desagregação da família e os conflitos e a hostilidade entre pais e filhos é uma grande tragédia para a nação.

O coração dos pais convertido aos filhos: 
. pais que investem tempo com os filhos, os colocam antes da TV, do jornal, do sair com amigos, antes de si mesmos, de suas carreiras, de seu sucesso, investem seu tempo livre e “perdem” para estar com os filhos, abrir mão de si mesmo para se dar aos filhos, não dar presentes caros, todos os eletrônicos do mercado, coisas materiais, mas dar de si mesmos, isso é ter um coração convertido aos filhos.
. Pais que são exemplo para os filhos, sem hipocrisia, sem uma conduta repreensível e sem princípios. Exemplo de amor, de ética, de vida, de moralidade, para que os filhos sigam suas pegadas e não vivam perdidos no mundo e influenciados pelos de fora.
. Pais que criam seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor, que ensinam aos filhos o temor a Deus para que seus filhos sejam sábios e vivam em caminhos retos no meio dessa geração corrompida.

O coração dos filhos convertido aos pais:
. Filhos que honram seus pais e os reconhece como autoridade sobre suas vidas – respeitam e valorizam seus pais
. Filhos que obedecem, se sujeitam aos seus pais
. Filhos que tratam os pais em auto-estima, que até no falar com os pais falam da forma correta

Nossa geração de jovens hoje é uma geração desobediente e desrespeitosa com os pais, essa é uma tendência no mundo atual, aceita sem repreensão e praticada sem nenhum pesar. Está escrito na Palavra de Deus que nos últimos tempos os homens seriam “desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados” (2Tm 3.1-4). Esse é o padrão do mundo decaído, onde o homem é seu próprio Senhor e dono da sua vontade e segue seus desejos, a rebeldia dos jovens com seus pais é um reflexo da atitude de rebeldia desses para com Deus, mas o padrão do Reino de Deus onde Jesus é o Senhor é outro, a vontade de Deus para os filhos é que obedeçam e honrem aos pais.

Em um mundo onde o respeito e a honra aos pais é quase inexistente e a rebeldia é uma atitude cada vez mas comum e aceitável, Deus quer conduzir a vida familiar de um discípulo de Cristo segundo Seus perfeitos princípios, fornecendo-lhe tudo o que é necessário para que ele viva o seu papel de filho segundo o Seu coração e colha os bons frutos de uma relação de respeito e honra aos pais.

Esse assunto é muito importante para Deus. Podemos ver que Ele manifestou sua vontade para os filhos logo nos dez mandamentos – “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá. (‭Êxodo‬ ‭20‬:‭12‬), Ele não disse nada para maridos, esposas ou pais, mas falou diretamente aos filhos. E para filhos rebeldes havia estabele­cido a mais severa pena: a morte (Dt 21.18-21; Ex 21.17). Isso expressa a seriedade com que Deus vê esse assunto. 

Nos dias de hoje Deus se sente igualmente ofendido pela rebeldia e desonra dos filhos aos pais e julgará esses filhos. O Senhor vê toda rebelião e desrespeito dos filhos aos pais como uma ofensa direta a Ele mesmo, quando um filho desrespeita aos pais, em primeiro lugar ele está desrespeitando um mandamento de Deus.

Deus vê a rebelião e desrespeito dos filhos aos pais como algo contra Ele mesmo e isso é sério. A vontade de Deus para os filhos em relação aos pais envolve, basicamente 3 aspectos: a obediência, a honra e a consequente promessa.

A obediência
“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” Ef 6.1
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.” Cl 3.20.
Submissão é uma decisão, fruto da própria vontade, através da qual nos sujeitamos ao governo de outra pessoa. Se converter significa se sujeitar ao governo de Jesus e não viver mais independente de Deus. Essa já é a atitude de todo aquele que nasceu de novo, pois a conversão é se arrepender de uma da atitude de independência de Deus para uma atitude de um coração que se entrega e se sujeita ao governo de Jesus, Rei dos Reis e Senhor do Reino de Deus. Nascer de novo é morrer com a atitude rebelde de Adão e nascer em Jesus com uma atitude de total obediência ao Senhor Jesus.

Essa mesma atitude de submissão é requerida na obediência aos pais, mais uma vez, para que a vontade de Deus se realize. Não há nenhuma humilhação nisso, mas o reconhecimento de uma autoridade que Deus colocou em nossa vida, para cuidado e orientação. Jesus, sendo o Senhor, quando jovem, foi obediente e submisso aos seus pais (Lc 2.51); por que nós, seus servos, não podemos sujeitar-nos a nossos pais? A dificuldade em nos submetermos tem origem no coração de Satanás, na raiz de orgulho e rebelião que o levou a afrontar a autoridade de Deus, ser expulso dos céus e criar seu Reino das Trevas. O princípio do Reino das Trevas é a rebeldia e o princípio do Reino de Deus é a submissão.

Deus declara que é justo que os filhos obedeçam a seus pais (Ef 6.1) e que isso é agradável a Ele (Cl 3.20).
É justo os filhos obedecerem a seus pais pois isso é agradável a Deus.
É importante salientar que a obediência não é exclusiva para os filhos de pais convertidos, o princípio é geral, aplica-se a todos os pais. O fato de alguns pais ainda não terem se rendido aos pés do Senhor não dá aos filhos o direito à desobediência. As únicas situações em que o discípulo não deve obediência aos seus pais são aquelas onde a ordem dos pais se contrapõe à vontade de Deus, expressa na bíblia – por exemplo, se o pai mandá-lo mentir ou praticar imoralidade sexual (At 4.18-20). Em um caso assim, o filho não poderá obedecer aos pais, ainda que sofra consequências por isso. A ordem de um pai nunca estará acima de um mandamento de Deus.

A honra
Ef 6.2-3; Ex 20.12.
“Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro man­damento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” Ef 6.2-3.

A vontade de Deus é que os filhos tenham seus pais em alta consideração, os filhos devem considerar que a sabedoria e experiên­cia que os pais têm não se adquire na escola nem na faculdade, mas sim no longo aprendizado da vida, errando e acertando, ganhando e per­dendo, avaliando e corrigindo, a vivência agrega experiência para conduzir a outros (Pv 1.8; 6.20).

“Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe.” Pv 1.8.
Quanta paz e bênçãos desfrutam os filhos que honram aos pais! Quanta alegria provam os pais de um filho sábio e res­peitoso! Quanta glória o Senhor recebe de um filho segundo o Seu coração!

“O filho sábio alegra a seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe.” Pv 15.20.

Os filhos devem aprender a serem gratos a seus pais e a colocar maior peso nas virtudes do que nas debilidades dos seus pais. Isso tornará mais fácil honrá-los.
É importante notar que o mandamen­to de Deus é que os filhos honrem aos seus pais independentemente deles serem admiráveis ou não. Não se deve confundir honra com admiração. Há pais que não são admiráveis por toda injustiça que praticam: pecados grosseiros, ofendem aos filhos de diversas formas, são criminosos, mas Deus quer que seus filhos os honrem como pais. Quando um discípulo de Jesus perdoa e honra um pai ou mãe, o nome de Cristo é honrado e glorificado.

A honra pelos pais se manifesta pelo trato cordial, amável e respeitoso. A falta de honra é expressa através de gestos, grosserias, prepotência, altivez e desprezo (Pv 13.1; 19.26; 30.11), atitudes muito comuns no mundo. 

“Os olhos de quem zomba do pai ou de quem despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos pintãos da águia serão comidos.” Pv 30.17.

Muitos pais, quando atingem uma idade avançada, são abandonados e considerados como peso na vida dos filhos. Principalmente quando ficam enfermos e precisam de cuidados especiais, mas a palavra do Senhor insta os filhos a que, quando os pais vierem a envelhecer, não os desprezem, antes cuidem deles e os recompensem (Pv 23.22; 1Tm 5.4,8).

A promessa
“… para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” Ef 6.3.
Honrar os pais é o primeiro mandamento com promessa. Quem o fizer, pode ter a segurança de que colherá bênçãos e terá longa vida. Nada devemos fazer por interesse, o que arde no coração do discípulo é agradar a Deus, portanto a promessa não é a motivação para obedecer ao mandamento. Mas, sim, é uma bênção do Senhor. Desfrutemos dessa bênção.

Gratidão
Enquanto o filho estiver debaixo do cuidado paterno, ele desfrutará de benefícios e privilégios naturais. Alguns desses, seus pais não podem deixar de prover. Outros, entretanto, são concedidos aos filhos por uma atitude de amor, carinho e bondade dos pais. É justo que os filhos reconheçam e expressem gratidão por todo serviço e bem que recebem de seus pais ao longo de toda a vida.

Além disso, os filhos recebem muito mais do que realmen­te necessitam. Porém, muitos não reconhecem isso, pensam que é obrigação dos pais. Os pais têm a obrigação de prover alimento, roupa, educação e residência enquanto os filhos não podem conseguir isso por si mesmos. O que passar disso é graça. Seria muito bom que os filhos sustentados por seus pais depois da maioridade (alguns até ajudados enquanto cursam uma faculdade) reconhecessem e expressassem uma gratidão especial pelo benefício recebido por todos esses anos. O coração grato de um filho agrada ao Senhor e traz grande alegria aos pais.

Esses valores do Reino de Deus são de valor inestimável, são vida e preservam o amor e o relacionamento familiar. 
Os valores e pensamentos do mundo são influenciados pelo príncipe desse mundo que se empenha para destruir a obra prima de Deus: o homem. Que infelizmente não enxerga que quanto mais longe do seu criador, mais infeliz e destruído será em todas as áreas da sua vida.

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