Templos e a igreja de Cristo

Os homens constroem belos templos para Deus, mas esquecem de se santificar; Deus não habita em templos feitos por mãos de homens!

“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1 Coríntios 3:16)

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de vocês mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo.”(1 Coríntios 6:19-20)

Tenho visto pela cidade como os líderes da igreja se preocupam em gastar muito dinheiro para construir grandes templos, espaçosos, confortáveis, visando as várias salas para as faixas de idades necessárias, visando locais de eventos, encontros e afins.

Fico me perguntando em que altura da história da igreja o homem, como sempre nós humanidade, introduziu na igreja de Cristo o conceito errado do que é a Igreja de Cristo.

Fico me perguntando em que momento, a megalomania humana de construir, aparecer, se auto-promover, demonstrar poder, força, imponência através de grandes edificações de pedra e tijolo, entrou no coração de um líder cristão e contaminou toda posteridade da igreja e chegamos aqui e agora onde estamos.

Fico me perguntando como esse conceito equivocado e tão recheado de “boas intenções” se enraizou no Cristianismo, a ponto de pastores e líderes, homens de Deus, investirem o dinheiro dos fiéis em uma edificação que não ficará pedra sobre pedra, enquanto entre esses mesmos fiéis existem necessidades dentro de suas próprias casas, muitas das quais nem são conhecidas pelos líderes por falta de convívio de perto, por falta de andar juntos.

Essa narrativa é totalmente oposta ao que Jesus e a igreja primitiva viveram, praticaram e deixaram registrado nas sagradas escrituras.

Se Jesus nos deixou o exemplo de vida dEle, que fazia da vontade do Pai seu alimento a ponto de se esvaziar de sua glória e nascer como homem, se humilhar a si mesmo vindo como servo de todos e sendo obediente até a morte e morte de cruz, sendo Ele o único caminho para o homem separado de Deus, voltar a Deus, me pergunto: se nosso exemplo, nosso mestre e Senhor, nunca jamais mandou a igreja construir um grande templo que acolhesse a toda aquela multidão, principalmente os 3 mil que se converteram no dia de Pentecostes, se Jesus nem seus apóstolos não tocam uma única vez nesse assunto de construção de grandes templos para grandes eventos e reuniões, de onde saiu essa idéia?

Em que ponto da história isso começou? É conhecido por todos que a igreja católica, sempre exibiu seus faraônicos templos, cheios de ouro, esculturas, pinturas, vitrais, imagens, riquezas, muitas terras em todo o mundo, demonstrando a todos o seu “poder” e influência no patamar dentro dos padrões humanos, totalmente opostos ao padrões de Deus que diz: não acumulem tesouros na terra… ( Mt6:19-24). Me pergunto como esse valor deturpado de templos de cimento e tijolos entrou no cristianismo.

A igreja católica e outras religiões necessitam de ter seus ídolos e deuses visíveis para adorá-los, é compreensível que construam, criem templos grandes e imponentes para si mesmos, precisam ver algo palpável, eles não conhecem o Deus eterno, imortal e invisível.

Mas como isso chegou ao Cristianismo? Nosso Deus é de eternidade a eternidade é Deus (Sl 90:2), é espírito, invisível, ninguém jamais o viu, fez toda a criação para expressar toda sua glória e poder para que o homem visse e o reconhecesse Soberano Criador (Rm 1:20), a casa que Deus desejou ter, Ele fez com suas próprias mãos e soprou dentro dela seu fôlego: o homem.

Deus fez o homem para Ele, para expressar seu amor e poder através da vida dada ao homem, ao pecar contra Deus, o homem morreu espiritualmente, foi separado de Deus.

Em Cristo, o homem é reconciliado com Deus e recebe a vida eterna de Deus, ais im, volta a ser morada do Pai, volta a seu útil, volta a ser usado para a finalidade para a qual foi criado: para Deus.
Os salvos, são salvos não para si mesmos, nem para ir ao céu, são salvos da morte para a vida, salvos do Reino das trevas para o Reino de Deus, salvos para viverem para o Criador e ter comunhão com Ele, coisa que antes não tinham.

Esses salvos, são a igreja, corpo de Cristo, família de Deus, ao mesmo tempo que família Universal e invisível, local e próxima dos que moram na mesma localidade.

Nós somos o templo de Deus, fomos criados para sermos habitados pelo Eterno Deus, somos seus vasos, sua propriedade exclusiva, seu santuário, sua casa. O eterno vem habitar em nós, fazer morada, não somos mais ossos secos, somos cheios de seu fôlego de vida, morada do Espírito Santo de Deus.

A igreja de Cristo é um organismo vivo, ativo, que se move, de segunda a segunda, pela transformação que o Senhor faz na vida de cada qual morre para o mundo e nasce para Ele. A Igreja de Cristo está nos lares, nas empresas, nas escolas, nas ruas, nos ônibus, nos parques, nos restaurantes, o povo de Deus o representa onde quer que esteja e essa gloriosa verdade e conceito é totalmente embaçada, enterrada e confundida pelo conceito de “ir pra igreja”, conceito de “construir igreja”, conceito de “minha igreja”, como assim minha igreja? Só existe uma: a igreja de Cristo, Cordeiro de Deus que deu sua vida por nós, Cristo é o cabeça do Corpo, sua noiva que Ele voltará para buscar.

Onde vamos congregar? Se essa é a maior preocupação, voltemos aos Evangelhos e procuremos copiar o que a igreja primitiva fazia: de casa em casa repartindo o pão, Jesus com as multidões nas ruas e no pátio das sinagogas dos judeus, que era onde o povo ficava e era para lá que a igreja ia buscar os doentes (pecadores), a igreja não se encontrava num lugar e chamava os doentes (pecadores) para ir até eles.

O templocentrismo é um costume pagão. Na Nova Aliança, cada salvo é o templo de Deus, nova criatura para viver a vida de Jesus e espalhar sua luz nas trevas desse mundo decaído. Cristo em nós, a esperança da glória.

“o mistério que esteve oculto durante épocas e gerações, mas que agora foi manifestado a seus santos. A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.”(Colossenses 1:26-27)

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